Neste livro José Carlos Sebe Bom Meihy analisa a criação e recepção do livro "O Presidente Negro", de Monteiro Lobato, partindo de uma hipótese plena de consequências: “não é possível compreender o racismo de Lobato sem compreender o eugenismo que o fundamentava, e não é possível compreender esse eugenismo sem reconhecer que ele era, na Primeira República brasileira, não um desvio excêntrico, mas o tom científico e político de uma época inteira. Universidades o ensinavam. Parlamentos o legislavam. Academias o celebravam. Jornais de grande circulação o divulgavam. E a Constituição de 1934 inscreveu o eugenismo em seu artigo 138, determinando que incumbia à União, aos Estados e aos Municípios ‘estimular a educação eugênica’. Não era nota de rodapé nem concessão retórica a um grupo excêntrico: era política de Estado, aprovada por uma Assembleia Constituinte que se apresentava ao mundo como fundadora de um regime democrático.”
Editora Pontocom – e-books grátis.